Ler e contar histórias ajudam no desenvolvimento das crianças

Ler em voz alta para os bebês desde o nascimento é uma das mais novas indicações da Academia Americana de Pediatria. O grupo, formado por cerca de 60 mil pediatras nos Estados Unidos, explica que uma parte importante do desenvolvimento do cérebro ocorre nos primeiros três anos

e que, ao ouvir palavras, a criança amplia o seu vocabulário, desenvolve o aprendizado da leitura e adquire capacidades socioemocionais para o resto de suas vidas.

Essa recomendação, já apoiada por vários especialistas no Brasil, se baseia em estudos que indicam que as crianças que ouvem mais palavras têm melhor desempenho escolar. Uma pesquisa realizada em 2004 pela Universidade Federal de Viçosa e pela Universidade Federal de Minas Gerais, por exemplo, demonstrou que crianças de 4 a 6 anos e de baixo poder econômico, submetidas a programas de leitura, passaram a compreender melhor as histórias do que aquelas que não participaram desses programas.

Ler faz bem à saúde

De acordo com estudo feito pela Universidade de Stavanger, na Noruega, as pessoas que costumam ler têm mais capacidade de perceber dores, fadigas ou problemas emocionais que afetam seus relacionamentos sociais. Um dos motivos para isso é que as informações sobre saúde, como artigos científicos, nem sempre são acessíveis e, geralmente, têm vocabulário complicado. Para quem lê pouco e lê mal, isto significa uma barreira para informações de qualidade.

Divulgado em 2013, esse estudo sugere que, além de programas de incentivo à leitura, artigos com conselhos sobre dietas saudáveis e exercícios físicos devem ser publicados em linguagem mais acessível.

“Ler para a criança ajuda em vários aspectos, desde o seu desenvolvimento intelectual até a relação afetiva dela com os pais”, afirma a coordenadora médica da UTI Pediátrica do Sírio-Libanês, Lucilia Santana Faria. “Percebo que as crianças que ouvem historinhas desde criança acabam gostando mais de ler”, acrescenta.

Participante do grupo de teatro voltado aos colaboradores do Sírio-Libanês, Lucilia revela que usa técnicas de interpretação para chamar a atenção dos seus netos ao contar histórias. “Faço vozes diferentes para cada personagem e eles adoram”, conta.

A Sociedade Brasileira de Pediatria informa também que a leitura contribui para unir a família. O órgão sugere aos pais que deixem seus filhos escolher os livros que mais os atraem e recomenda passeios a bibliotecas e livrarias como forma de estimular o gosto pela leitura nas crianças.

Ler pode ser alternativa ou complemento ao uso de tablets e smartphones

O uso de equipamentos eletrônicos, como tablets e smartphones, está cada vez mais comum na vida das pessoas. Nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 40% das crianças de 2 anos já usaram alguma vez esses dispositivos.

Diante dessa realidade, o incentivo para que os pais leiam para seus filhos se torna ainda mais importante, evitando que a leitura não seja relegada para um segundo plano. “Tablets e smartphones não devem ser usados em excesso, nem substituir as atividades como contar histórias”, diz Lucilia Santana Faria. “As crianças precisam brincar ao ar livre, o que muitas vezes é abandonado para assistir TV ou ficar em frente a um computador”, acrescenta.

No entanto, a médica acredita que pode haver uma interação entre livros e tablets. Ou seja, revezar a leitura entre um e outro, por exemplo, ou ler a história de um determinado personagem no livro e depois deixar a criança assistir um filme sobre o mesmo personagem no tablet.

Vários aplicativos disponíveis gratuitamente na internet já têm essa função de auxiliar na educação. Alguns deles contam histórias, outros ajudam a torná-las mais divertidas, demonstrando, por exemplo, sons de animais.

“Podemos encontrar diferentes maneiras para contar histórias e deixar a leitura ainda mais interessante. A tecnologia também pode ser usada a nosso favor”, avalia Lucilia.