O dilema do teste que detecta o câncer de próstata

Nos congressos médicos um tema que volta e meia vem à tona é o teste de PSA. Embora a dosagem dessa substância seja um marcador importante para o câncer de próstata – doença que atinge 16% dos homens com mais de 50 anos –, o exame está sempre na berlinda.

Por um lado há quem o associe a falso-positivos e a intervenções invasivas e desnecessárias, por outro, especialistas o vinculam à perspectiva da eliminação total do tumor. O debate parece longe de terminar, porém, nas mesmas mesas de discussão um fato é consenso: a detecção precoce ajuda a salvar muitas vidas. “Tumores diagnosticados no início têm grande possibilidade de cura”, defende o urologista Miguel Srougi, do Sírio-Libanês, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Quando rastrear

Exame de toque

As diretrizes americanas sugerem que homens a partir dos 50 anos de idade procurem o urologista para investigar a saúde da glândula. “Para aqueles com histórico de câncer na família recomenda-se aos 45 anos”, afirma o urologista William Carlos Nahas, também do Sírio-Libanês e professor da FMUSP.

Parte da averiguação é feita no consultório por meio do toque da próstata, muito eficiente para revelar a presença de nódulos e alterações em sua consistência. Mas esse modo de vistoria também carrega uma dose de controvérsia, pois há resistência de muitos homens a se submeter ao exame. Um erro. “A verdade é que o toque costuma ser realizado em quatro ou cinco segundos e de maneira indolor”, desmistifica Srougi.

Pesquisa minuciosa

O PSA – sigla para antígeno prostático específico – avalia a taxa, no sangue, dessa proteína, que é produzida exclusivamente pela próstata. “A quantidade pode estar aumentada em casos de tumores, mas também sinaliza inflamações, infecções e outros problemas”, esclarece Nahas. Uma das alterações mais comuns que ocorrem nos homens que ultrapassam a faixa dos 50 anos é a hiperplasia benigna da próstata. “Trata-se de um crescimento da glândula, que provoca desconfortos, como o de acordar à noite para urinar”, relata. Para dar um basta no incômodo existem diversos medicamentos.

Descartados outros males e sob a suspeita de câncer, o tira-teima é a biópsia. Neste caso, uma agulha fina, orientada por ultrassom, retira fragmentos do tecido para análise. Só após o resultado é que o especialista tomará decisões sobre o tratamento mais apropriado.

Caso seja confirmada a presença de um tumor maligno, o tratamento irá depender do tipo, já que existem desde os de baixa até os de alta agressividade. “Há situações em que somente a vigilância ativa, com a realização periódica de exames, é o suficiente”, revela Srougi. Outros casos necessitam de cirurgia e de radioterapia, mas a chance de cura é bastante significativa, principalmente quando o tumor está restrito à glândula, isto é, se não atingiu outros locais.